domingo, 14 de março de 2010

Sono perturbado!


Ontem à noite uma pomba instalou-se na beirada de uma das janelas da sala de meu apartamento. A princípio, levei um susto, afinal, isso não é comum, principalmente, quando já está totalmente escuro! Ela era branca e parecia estar muito bem ali. Eu, com a mania de fotografar tudo, corri, peguei o celular, que estava mais à mão, abri lentamente a vidraça e fui chegando mais perto para poder fazer um "close" da lindona! Sim, era lindona, o branco de suas penas tinha um perolado de dar inveja. Lembrei de meu vestido de debutante, ah! quanto tempo faz isso, mas eu não esqueço. Ele tinha três grandes babados bordados de lantejoulas nacaradas. Nacaradas? Será este o termo? Meu Deus, nunca mais havia falado essa palavra! Voltando a minha visitante, confesso que enlouqueci com aquela presença. Até esqueci que esses bichinhos não são bem-vindas por aí, portadoras de piolhos e transmissoras de doenças. Pus-me a clicar muitas vezes, com flash, sem flash, mais perto, mais longe, e ela ali, implacável, altiva, parecia serena, mas, na verdade, estava me observando, meio de lado, somente com o olho direito. Aos poucos, sua aparência foi mudando, não sei como notei, pois todos parecem ser tão iguais! Sim, aquela não era mais a pomba branca que pousara na minha janela. Suas penas não estavam mais com aquele brilho encantador, estavam, agora, assustadoramente rígidas, seus olhos haviam aumentado, lembravam botões, enormes! Eu, apesar de impressionada, continuava a querer mais poses daquele serzinho que resolvera fazer parte da minha noite de sábado. Foi aí que ela se virou de frente para mim, abriu o bico e disse com voz estridente e rouca:
- Não vai parar de me encher o saco? Tô a fim de dormir!
Eu dei um passo pra trás, bati em uma cadeira que bateu no abajour de pé e tudo foi ao chão, fazendo uma balbúrdia!
- Ah, tá! Desisto! Barulho, não!!!!!!! Vou procurar outra janela! Tchau, sua velha chata! - abriu as asas e saiu, batendo-as energicamente.
Fiquei ali parada, não entendendo nada! Fui dormir também, encucada!
Ao encostar a cabeça no travesseiro, pensei:
"Tomara que ninguém faça barulho!"

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